
Data: 2003/...
Área: 46.000 m2
Cliente: Cogetrev
Coordenadores de projecto:
João Ferreira Nunes, Carlos Ribas.
Colaboradores de projecto:
Luís Silva,
Iñaki Zoilo, Margarida Quelhas, Giada Marchese, Maria
Lima.
Partners:
Gonçalo Byrne, Andrea Menegotto.
Quando pensamos no que é a
paisagem humanizada dos nossos dias, observamos padrões
que de algum modo relacionam a forma desta com a sua utilidade.
Nestes padrões existem, no entanto, espaços
cuja utilidade é menos aparente, ou mesmo acessória
- neste grupo está a mata, cobrindo as vertentes inacessíveis,
os solos mais pobres ou as regiões mais isoladas. Fomos
conquistando espaço à mata - ou à floresta
- adaptando-o a outros usos, mas a nossa relação
com aquela manteve-se periférica.
Na mata vive ainda o nosso imaginário das origens -
do tempo em que a apropriação consciente do
espaço ainda nos colocava no interior de um mundo complexo
e independente do nosso controlo. Fomo-nos libertando desse
jogo, procurando espaços mais amplos para viver, enquanto
as florestas - o interior destas - permaneceram o elo que
nos liga à clausura inicial. À natureza imediata.
Não alheio a este sentimento é o esforço
que actualmente dispendemos na recuperação do
equilíbrio ecológico do espaço que habitamos,
compreendendo que não podemos viver num meio em estado
de coma, cuja sustentabilidade seja mantida com o recurso
exclusivo à racionalidade. Enquanto nos apercebemos
da necessidade de preservar o metabolismo fundamental da paisagem,
apercebemo-nos também do nosso desejo de recuperar
essa ligação imediata com a natureza. Contudo,
esquecemos muitas vezes a natureza necessariamente periférica
dessa ligação.





