PARQUE DO TEJO E DO TRANCÃO

Data: 1994/2008

Localização: Lisboa/Loures, Portugal Ver no Google Maps

Área: 900.000 m2

Cliente: Parque Expo'98 S.A.

Concurso Concepção/Construção (com Hargreaves Associates) 1º Prémio

Coordenadores de projecto:
João Ferreira Nunes, Carlos Ribas.

Colaboradores de projecto:
Cristina Vasconcelos, Elsa Calhau, Margarida Quelhas, Nuno Mota, Sandra Ferreira, Vera Ramos, Ana Lúcia Mateus, Maria Zás, Nuno Jacinto, Paula Antunes, Iñaki Zoilo, António Magalhães de Carvalho

Consultores:
Hargreaves Associates: George Hargreaves, Glenn Allen, Mary Margareth
Lacerda Moreira/Silvino Maio
Hidrotécnica Portuguesa
Ana Barroco e Esteves Correia
Vitor Jesus
GR
Grade Ribeiro
José Charters Monteiro
Aires Mateus e Associados
Alberto Souza Oliveira

Fotografia:
João Nunes
Leonardo Finotti

O Parque do Tejo e do Trancão cobre aproximadamente uma área de 90ha de frente ribeirinha da margem direita do Rio Tejo, desde a Torre Vasco da Gama, situada no limite a sul do parque, até ao Rio Trancão, que limita a norte, cercando a área de intervenção da EXPO’98. A pré-existência definia uma desqualificação territorial e ambiental excepcionais, convergindo no sítio um conjunto de actividades profundamente marcantes e tristemente características de uma situação geográfica, de fronteira intermunicipal, caracterizada por unidades industriais desactivadas.
A proposta procurou estabelecer uma organização do espaço de grande diversidade cénica, visual e sensitiva, suportada por uma estrutura que traduz unidade formal onde as formas de modelação de terreno constituem o elemento estruturante fundamental, determinando consequências ecológicas, cénicas e vivênciais que estabelecem o fundamento da paisagem que se pretende criar uma paisagem tridimensional, diversificada e ritmada. Estas formas de modelação de terreno definem, pela sua disposição relativa e orientação, não apenas uma marcação formal mas, sobretudo, um ritmo ecológico que se repete ao longo do território do Parque, essencialmente pela oposição entre taludes suaves expostos a sul e taludes mais abruptos voltados a norte.

O zonamento de plantações e revestimento vegetal acentua o contraste entre taludes fazendo coincidir tipologias e elencos florísticos específicos a situações ecológicas correspondentes, antecipando, em termos de imagem, o resultado que o tempo e a natureza se encarregariam de estabelecer. Dado que se pretende um Parque intensamente vivido, os sistemas a introduzir são necessariamente artificiais de forma a poderem apresentar uma capacidade de carga ecológica adequada. O sistema de caminhos constitui uma rede hierarquizada que define, ele próprio, uma estrutura autónoma, funcional, subsidiária da estruturação tridimensional de base com a qual se articula de forma indissociável. Para além do sentido ecológico, funcional e imagético da estrutura proposta, a solução serve paralelamente uma intenção essencial ao conceito desenvolvido para o Parque: a potenciação do sistema cénico, suportada projectualmente em duas acções fundamentais: a criação de corredores visuais, consumados como os negativos do conjunto estruturante, e a criação de formas de modelação e faixas arborizadas, que se vão abrindo no sentido da aproximação pedonal ao Rio.